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sábado, 1 de janeiro de 2011

Lula não me engana

#ValeuLula

Tudo que esse cara fez antes de ser presidente foi conquistar confiança, apoio e simpatia. Quando era um simples torneiro mecânico, soube organizar sua categoria num sindicato forte e atuante que fez história. Foi nesta época que o conheci. Lembro quando foi preso, como se fosse bandido. “Julgaram” a greve dos metalúrgicos do ABC ilegal e Lula, seu líder, foi preso. A fúria dos empresários devia-se ao fato de que aqueles trabalhadores não eram simples peões, peças de fácil reposição. Na época, ser metalúrgico era ofício quase de artesão. Não havia tecnologia e robótica como hoje. Para ser metalúrgico, tinha que ter talento, sensibilidade e precisão.


No final dos anos 70, eu era jovem e idealista. Fiz parte de um grupo de teatro que aderiu à luta dos metalúrgicos, assim como centenas de outros grupos que arrecadavam doações para ajudar no sustento de suas famílias. Nos esforçávamos para vender os bônus da greve, simples recibos de contribuição à causa. Muita gente organizava shows, eventos, churrascos, enfim, qualquer pretexto para arrecadar dinheiro. Foi construída uma pirâmide humana que levava o dinheiro até uma conta corrente e de lá era repassado para a compra de alimentos para as famílias dos grevistas. E estes trabalhadores, batalhando pelos seus direitos, simbolizaram os anseios da nova geração da esquerda brasileira. A luta foi uma das mais longas na história: quase dois meses. Foi a primeira ação política coletiva da qual participei. Mal sabia eu que estava vivendo o embrião do que viria a ser o Partido dos Trabalhadores. Mesmo antes de existir oficialmente, o PT já era uma camisa que vestíamos há algum tempo. E sua fundação foi um marco histórico. Uniu todas as vertentes da esquerda brasileira. Talvez seja por isso que é tão perseguido. E também por isso que cresceu tanto.

Lula não me engana. Foi conduzido à política quase contra a vontade. Entendeu que para modificar a realidade de milhares de trabalhadores iguais a ele, precisava alcançar novos instrumentos de transformação. Elegeu-se o deputado mais votado do Brasil e fundou o PT. Sua força cresceu por ser um líder autêntico, carismático e de origem humilde. Quando percebeu que outros sindicalistas, igreja, economistas, escritores, intelectuais, filósofos, artistas, enfim – boa parte das melhores cabeças pensantes do país filiavam-se ou passavam a apoiar o PT, teve a noção de que ser presidente não era utopia: era destino. Incorporou. Participou de todas as eleições seguintes sempre acumulando capital eleitoral.

Fez as campanhas eleitorais mais emocionantes que este país já viu. Uma das canções mais marcantes foi a inesquecível “LulaLá”, da campanha de 89. (Mesmo Collor confessou, recentemente, que na época, dormia com a canção “LulaLá” colada no ouvido…) Quase vira hino! Obrigou a direita a se mostrar, se assumir. “Ou você é a favor ou é contra. Contra ou a favor de quem? Do PT do Lula”. O PIG se esforçava para conter a avalanche. Não me esqueço da capa da Veja – uma montagem em que Lula aparecia cumprimentando Collor (antes do debate decisivo na Globo) como se estivesse numa escada, dois degraus abaixo, fundo preto. Depois teve aquela famosa edição dos “melhores momentos” do debate, retirando as falas de Lula do contexto, fazendo-o perder o sentido e parecer despreparado. Além disso, a Globo passou o dia inteiro da eleição exibindo flashes ao vivo do sequestro do empresário Abílio Diniz e atribuindo a ação a elementos ligados ao PT. Uma mentira que não durou 24 horas. Diniz, anos depois, ainda sentiria orgulho de apoiar Lula.

Em 2002, quando finalmente venceu a mídia e os adversários, renovou minhas convicções e me fez chorar no discurso da posse (clique aqui para rever). Montou uma equipe de governo técnica e competente para garantir uma boa administração. Honesto com suas origens, deu o tom social ao seu governo. Lula não me engana – sabia que só assim poderia ganhar a aprovação do povo brasileiro, fazer um bom governo e, quem sabe até, reeleger-se.

Em 2006 foi reeleito dando uma goleada de votos no paulistinha Alckmin. E finalmente começou a colher o que plantou: o país começava a crescer fortemente. A economia bombava, o desemprego caía pelas tabelas e o Bolsa Família já havia deixado de ser o Bolsa-alimentação figurativo de FHC para tornar-se o maior programa de combate à fome do mundo. E ainda garantia 50 milhões de crianças nas escolas. As obras de infraestrutura, o enfrentamento da crise financeira mundial em 2008, a descoberta do Pré-sal e a luta para garantir que essa riqueza beneficiasse, acima de tudo, o povo brasileiro, os investimentos do PAC, o ProUni, Minha Casa, Minha Vida, Luz para Todos… Não me engana: tudo visava melhorar a vida do povo para ganhar sua confiança e quebrar recordes seguidos de avaliação positiva do seu governo e de si próprio.

Ao ser reconhecido mundialmente, acima das direitas e esquerdas, como o melhor presidente das Américas – ser chamado de “O Cara”, ao vivo, pelo presidente da nação mais poderosa do mundo e além disso, receber premiações dos órgãos de imprensa e entidades de direitos humanos mais conceituadas do planeta pelas suas realizações, Lula sentiu que poderia – imaginem só – fazer sucessor! E como se não bastasse, ousou escolher uma mulher para dar continuidade ao seu governo! É certo que Dilma conhece tudo que está sendo feito no Brasil, já que foi seu braço direito. Mas não me engana…

Sabe que não me engana, Luiz. Sei muito bem de onde veio. Até assisti o filme que fizeram sobre sua vida. Sei que não vai abandonar a política como se o teu sonho já estivesse totalmente realizado. Tenho certeza que seguirá de perto o novo governo, dará palpites e terá influência natural e decisiva quando for preciso. Sei que vê no Brasil atual um bebê nascido do ventre do seu governo. Por isso tem um sentimento possessivo pelo país e pelo povo daqui.

Ah, Luiz Inácio da Silva! Você não me engana. Sabe por que? Porque é um homem simples, honesto e transparente como a água. E não sou o único a pensar assim: 87% dos brasileiros também sabem que você não engana ninguém.

Vai lá, passa a faixa pra Dilma e volta pra São Bernardo – que tem um monte de amigos seus esperando pra te abraçar e festejar este novo Brasil e sua democracia! Depois voltamos a falar sobre política.

Reprodução do blog O que será que me dá ?


sábado, 25 de dezembro de 2010

O santo, os tucanos e os porcos

Por Roni do blog O que será que me dá ?


Há um ano São Paulo viveu uma tragédia causada por um santo. Pedro foi julgado e condenado por ter alagado a cidade sem piedade e sem aviso prévio. Na época, os paulistanos apoiaram o veredicto e, mais do que isso, deram a mão à palmatória quando o prefeito Gilberto Kassab os acusou de porcos que jogavam o lixo nas ruas gerando o entupimento dos bueiros. De nada adiantou a defesa dos réus argumentar que o prefeito cortou 50% das verbas de recolhimento do lixo e limpeza da cidade. Também foi inútil evidenciar a responsabilidade dos quatro governos tucanos por não terem feito a limpeza da calha dos rios Tietê e Pinheiros, por não terem construído os piscinões que prometeram nas quatro campanhas eleitorais e por administrar apenas o entorno da Av. Paulista – enquanto as regiões “menos altas” da cidade eram tratadas como “penetras” na fina flor da sociedade paulistana. Culpados, povo e santo foram apedrejados publicamente pela “imprensa amiga”. Mesmo assim, o santo não tomou conhecimento da gritaria dos mortais e manteve o cronograma das chuvas por dois meses. Já os “habitantes porcos” da cidade aceitaram passivamente o castigo das inundações: 80 mortos, dois meses do esgoto a céu aberto, sacos de lixo boiando no baixo entorno da Av. Paulista, milhares de desabrigados, doenças etc.

De Alckmin para Serra, de volta para Alckmin, São Paulo pensa que cresce ou se desenvolve – quando em verdade, mais empregos e alguma distribuição de renda são reflexos das políticas de inclusão social do governo federal. Fato é que, neste verão, São Pedro e os “habitantes porcos” voltaram a castigar a cidade. Vemos os mesmos alagamentos, o mesmo desespero da população e os mesmos automóveis sendo arrastados e amontoados pela fúria das águas como se fossem brinquedos de plástico.
Depois dos resultados das últimas eleições, o mandato tucano terá menos interesse ainda em investir em qualquer obra de infraestrutura que seja subterrânea ou invisível às câmeras do PIG. E São Pedro continuará irredutível: as chuvas voltarão anualmente causando estragos. Enquanto o PIG (que é paulista da cabeça ao rabo) mantiver a blindagem aos tucanos escondendo sua incompetência administrativa, SP jamais elegerá alguém que realmente faça a diferença.

Tudo isso tem sua lógica. O estado é o último reduto das elites conservadoras do século 20. É vital para eles e para a sobrevivência do PSDB que São Paulo permaneça por uma eternidade em suas mãos. O PIG ajuda, mas não faz o serviço de graça: também está no vermelho. Tanto em credibilidade quanto em finanças. E sua audiência vem caindo pelas tabelas ano após ano. Assim, ambos precisam do maior orçamento do país para sobreviverem. Ainda mais sob Dilma Rousseff, que deverá ampliar a política de Lula que restringe a participação do porcão no bolo das verbas de comunicação institucional do governo federal. Alckmin terá que renovar os contratos milionários com a Abril, Falha, Estadão e Veja, mantendo a distribuição de seu lixo editorial em todos os órgãos públicos do estado. Em troca, o PIG não o fiscalizará nem lhe fará cobranças e estará sempre pronto para atacar seus inimigos.

São Paulo seguirá colecionando os piores índices e o Brasil seguirá crescendo. E não se trata apenas do Pré-Sal e das gigantescas obras de infraestrutura como a Transnordestina, a transposição do São Francisco, usinas hidrelétricas etc. É bem provável que, para tristeza da turminha da Mayara Petruso, o nordeste também se torne um novo pólo em educação. Uma região que cresce mais que o resto do país terá maior motivação e empenho na área do ensino. Enquanto a USP cai 84 posições no ranking mundial de produção científica, o Instituto Internacional de Neurociências de Natal (RN) e a Embrapa (AM) foram destaques da Science Magazine – simplesmente a publicação de ciências mais importante do planeta.

Nos próximos 4 anos, SP será novamente governado pelo banana do Alckmin. O que, provavelmente, vai significar mais 4 anos de estagnação em todas as áreas vitais: educação (piores salários, superlotação ), saúde (terceirizada a empresas que só visam o lucro ) segurança (piores salários, cada um por si) saneamento básico (culpa de São Pedro e dos habitantes porcos).

O paulista que tem até 35 anos de idade NUNCA elegeu outro outro governante que não fosse do PSDB. E antes disso ainda tivemos Maluf, Fleury… Enquanto a parte paulista dos 3% cães raivosos vociferava orgulhosamente o “PT em São Paulo? Jamais!” nas últimas eleições, o Brasil esfregava-lhes na cara o “Tucanos paulistas na presidência? Nunca mais!” Resultado: o Brasil elegeu Dilma presidente. É bem verdade que São Paulo elegeu Alckmin e Tiririca. O primeiro, sério candidato a levar uma surra eleitoral maior que a de Serra em 2014. O segundo, bem… o segundo… pior do que São Paulo está, não fica!


quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

FalhaLeaks! Vazou a crítica interna da ombudsman da Folha! + bastidores da entrevista de Assange ao Estadão

Como vocês devem imaginar, não foi fácil para o Estadão publicar um petardo contra sua compadre da Barão de Limeira. O jornal quis cortar o trecho em que Assange referia-se à Falha, mas o pessoal do WikiLeaks que acompanhava o Assange não deixou. Tinha uma exigência clara de não se vetar nenhuma das partes da entrevista, segundo confirmação de fontes do próprio Estadão. Uma vez impedido de censurar a censura, a direção do jornal dos Mesquita teve que travar um saboroso e constrangedor diálogo com a direção da Folha, diálogo esse que eu pagaria mil reais para ouvir uma gravação. O resultado foi a publicação do trecho da Falha mais o box-outro lado da Folha, aquele texto risível em que o jornal do Otavinho nega a censura (disponível apenas para assinantes). Não sei porque, mas ver a Folha repetindo freneticamente “Eu não censurei!”, lembra aquele personagem do Casseta & Planeta que, dentro de uma sauna gay, rodeado de marmanjos e só de toalha, bradava “Eu não sou gay!”.

Curiosidade besta antes do filé: no Jornal da Tarde a notícia saiu sem box do outro lado surrealista. Pô Folha, assim não dá, processa o Grupo Estado!

Agora o melhor: vazou para nós, a la WikiLeaks, a crítica interna da ombudsman da Folha, Suzana Singer, que circulou entre os jornalistas da Folha agora à tarde, com um aviso bem grande pedindo para “NÃO DIVULGAR”:

FALHA DE S. PAULO

A incrível capacidade de mobilização dos irmãos responsáveis pelo site Falha de S.Paulo, processado pela Folha, obteve uma vitória impressionante hoje, quando Julian Assange, o símbolo do momento da luta pela liberdade de imprensa, defendeu o site. Está na entrevista exclusiva publicada no Estadão. “Entendo que há um grande escândalo em relação ao ao blog Falha de S.Paulo, que é uma sátira ao nome do jornal com o qual temos uma parceria no Brasil. Entendo a importância de proteger a marca e temos sites similares que se passam pelo WikiLeaks. Mas o blog não pretende ser o jornal e acho que deve ser liberado. A censura é um problema especial quando ocorre de forma camuflada. Sempre que há censura, ela deve ser denunciada”. Tem um box de outro lado, com a Folha negando que seja censura.

Os dois blogueiros já tinham conseguido que os Repórteres sem Fronteiras condenassem o processo, por considerarem difícil que um jornal do porte da Folha tenha sofrido danos á imagem por causa do site. Também dizem que os irmãos Bocchini não terão dinheiro para pagar a indenização. A Global Voices, comunidade internacional de blogueiros, também apoiou os irmãos. O site da Wired contou a história, sem emitir opinião. O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo condenou a atitude da Folha.

O jornal precisa noticiar o processo, fazer reportagem ouvindo os dois lados, explicar melhor sua posição. Não dá mais pra fingir que nada está acontecendo.

_____________________________

Suzana, apesar do apoio de muita gente incrível que recebemos aqui no Brasil (a quem somos imensamente gratos), tivemos que ir buscar o aval dos gringos para a Folha acordar. Longe de mim querer dar pitaco no seu trabalho, mas para quem quer ser o “Jornal do Futuro”, todos os detalhes desse caso mostram que ainda há um longuíssimo caminho a percorrer.

PS: o pedido da Reginna Sampaio é uma ordem para mim.

Reprodução


sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Como lesar o cidadão, o país e sair impune

Por Laerte Braga

O exemplo maior é Daniel Dantas. É costume da mídia norte-americana escolher o chamado "inimigo público número um". Al Capone era chamado assim. Por aqui não haveria dificuldade alguma em colocar a coroa, a faixa e entregar o cetro a Daniel Dantas.

Um dos responsáveis pela condução das privatizações no governo FHC (e um dos principais beneficiários), conseguiu a proeza de colocar um dos seus funcionários no STF (Supremo Tribunal Federal) – o "ministro" Gilmar Mendes – e no inquérito policial conduzido pelo delegado Protógenes Queiroz em que era indiciado e foi preso e solto duas vezes (solto por Gilmar), o delegado acabou condenado.

Dantas contribuiu decisivamente para a campanha de José Serra (amigo e pai de uma de suas sócias) e pelo sim e pelo não doou um milhão e meio de reais para a campanha de Dilma Roussef.

Imagino que cada político/corrupto neste País tenha o retrato de Daniel Dantas entronizado no ambiente de trabalho como forma de inspiração e busca de
proteção.

É o caso de Paulo Hartung, governador do extinto estado do Espírito Santo, hoje conglomerado VALE/ARACRUZ/SAMARCO/CST e outras menos votadas, mas não menos perigosas.

Hartung eleito e reeleito passou os oito anos de seu "governo" nadando na piscina do dinheiro público. Lesou e vai continuar lesando até 31 de dezembro um povo inteiro e sai impune, numa antiga unidade da Federação onde meio Tribunal de Justiça foi parar na cadeia por trapaças e tramóias dignas dos velhos gangsters.

Precatórios são como se fossem títulos de dívida pública junto a cidadãos de uma determinada categoria prejudicados num direito líquido e certo e assim denominado por decisão judicial que os reintegra em seus direitos.

Diferenças salariais, descumprimento de decisões judiciais, etc, etc.

A Constituição Federal trata do assunto e dá prioridade aos credores de precatórios, com ameaça inclusive de intervenção em governos que não cumpram tais decisões. Nenhum cumpre e fica por isso mesmo.

O Judiciário no Brasil funciona sem que se produzam efeitos de suas decisões, exceto se for um cidadão comum. Ou se as decisões forem para arrebentar o cidadão comum e beneficiar o "cidadão" Daniel Dantas, ou o cidadão Cacciola.

E se existem no meio do caminho juízes íntegros a desafiarem essa "ordem",acabam punidos, prejudicados em suas carreiras, ou estigmatizados com o epíteto de "honestos". Sem ironia. Pura realidade. Isso quando não acabam mortos como aconteceu com o juiz Alexandre de Castro Martins Filho, assassinado à luz do dia na Grande Vitória, por ter o desvio conhecido como honestidade.

Para ser ter uma idéia, o Banco Itaú promove anualmente um regabofe com juízes num resort na Bahia para "troca de idéias". Tem de tudo e entre os mimos até eventuais acompanhantes se o magistrado assim o desejar. Uma boa parte deles vai lá discutir a inocência dos bancos diante dos clientes.

Professores do Espírito Santo são credores de um precatório. O número do processo é 2418/19, lote 100 950 010 e o SINDIUPES – Sindicato dos Professores – e o advogado do sindicato, quando do início da ação contra o governo estadual era representado pelo advogado Alexandre Zamprogno.

Por incrível que possa parecer os professores ganharam a ação na Justiça, razão pela qual se constitui a figura do Precatório. Prioridade no pagamento das responsabilidades do governo do estado (extinto estado).

Como se vê, até aí tudo bem. Mais ou menos como o cara que pula do centésimo andar e ao passar pelo qüinquagésimo diz que "até agora não aconteceu nada de ruim". À altura do terceiro andar, digamos, o carro do advogado Alexandre Zamprogno cai de uma ponte e os documentos do Precatório "somem".

Professores lambem com os olhos e olham com testa.

O dito advogado que nada sofreu no acidente vira Procurador do Município de Cariacica e fica o dito pelo não dito, tudo perdido no Canal de Vitória, na ponte que liga Camburi à Praia do Canto. Fato noticiado no ES/TV, noticiário da GLOBO, isso à época evidente.

Há quem diga que o Precatório já foi "pago", recebido por "procuradores", há quem diga que não, que não poderia ter sido pago o que sumiu, enfim, trampo em cima de trampo.

Os professores... Bem, continuam lambendo com os olhos e olhando com a testa.

O fato dos documentos terem se perdido num acidente (que nem incêndio para receber seguro) não significa que todo o processo não pudesse vir a ser restaurado. Mas, o governador é Paulo Hartung, uma espécie de Daniel Dantas regional, pode ter certeza, algo bem pior que Beira-mar e Elias Maluco, até porque não corre o risco de vir a ser preso, é "amigo dos homens da lei".

O atual presidente da OAB no estado, Homero Mafra, ao contrário do geral, trabalha o assunto com seriedade e tem buscado formas de assegurar que o direito dos professores, os credores do Precatório sejam assegurados e o pagamento efetuado. Encontra barreiras é lógico, afinal, não custa repetir, o governador e Paulo Hartung.

Em todo esse processo, que já dura anos, vários personagens protagonizaram histórias no mínimo intrigantes sobre a matéria, vamos usar essa expressão. A vitória de Homero Mafra nas eleições da OAB restou sendo um transtorno para os bandidos, à medida que pauta sua conduta pela dignidade no trato da coisa pública e da coisa pessoal.

Denúncias já foram feitas das mais variadas formas, mas o processo "sumiu". Os documentos "sumiram" e nenhum dos implicados na história desde o "sumiço" se deu mal. Pelo contrário.

Paulo Hartung termina seu segundo assalto, quer dizer mandato, no final deste mês e passa o governo a Renato Casagrande, eleito em outubro. Tudo indica que os documentos vão continuar "sumidos", os professores lesados em seus direitos e Paulo Hartung amparado pela impunidade que beneficia figuras desse jaez, gozando os benefícios dos documentos que, nesses oito anos, "sumiram.

Uma das novelas da GLOBO transcendeu no seu capítulo final à própria emissora e passou a simbolizar a impunidade no Brasil. O personagem interpretado por Reginaldo Faria, em seguida a capítulos e mais capítulos de ações hoje consagradas por Dantas, Hartung, etc, foge num helicóptero e dá uma banana para o Brasil ao som de Cazuza.

"Não me convidaram para essa festa pobre/que os homens armaram pra me convencer/a pagar sem ver toda essa droga/ que já vem malhada antes de eu nascer/ não me ofereceram nenhum cigarro/fiquei na porta estacionando os carros/não me elegeram chefe de nada/o meu cartão de crédito é uma navalha/Brasil, mostra a sua cara/quero ver quem paga pra gente ficar assim/Brasil qual é o teu negócio/o nome do teu sócio/confie em mim/não me sortearam a garota do Fantástico/não me subornaram/será que é o meu fim?/ver tevê a cores na taba de um índio/programada para só dizer sim sim.../grande pátria desimportante/em nenhum instante eu vou te trair/não não vou te trair".

Hoje mudou um pouco. Avanços "tecnológicos" no componente impunidade. Não há necessidade de fugir. A justiça garante através de figuras como Gilmar Mendes e que tais.

Basta fazer alianças a palavra chave.

Ou usar azeite especial. A GLOBO por exemplo adora. No caso do Espírito Santo,extinto estado, através da Rede Gazeta, subsidiária de Marinho/Capone&Hartung.

Ao final e à guisa de esclarecimento, o Tribunal de Justiça, acuado pelas denúncias que repercutiram nacionalmente, reconheceu como legítimos os documentos apresentados por reclamantes e autenticados, conferindo legitimidade ao Precatório.

O Conselho Nacional de Justiça também.

Mas e aí? Paulo Hartung é integrante de uma sub-quadrilha da grande quadrilha nacional que já não foge de helicóptero porque não precisa. Mas não deixa de dar a clássica banana para o cidadão lesado.

#RioBlogProg - Política

Movimento dos Internautas Progressistas do Estado do Rio de Janeiro


quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Odisséia Carvalho lançada como pré-candidata à Prefeitura de Campos

O Deputado Federal Luiz Sérgio ( presidente do Partido dos Trabalhadores no Estado do Rio de Janeiro) e o Deputado Estadual Rodrigo Neves reúnem a imprensa para uma entrevista coletiva.

O Senador Lindberg Farias teve alguns problemas e não virá amanhã, mas vai agendar uma visita a Campos para as próximas semanas.


Os parlamentares vão anunciar o nome de Odisséia Carvalho, Vereadora do PT em Campos como pré-candidata a prefeitura de Campos nas eleições de 6 de fevereiro.


A coletiva acontece às 11 da manhã no Auditório do Sindipetro NF, Av. 28 de Março, 485-Centro.

Reproduzido do Blog da Odisséia


sábado, 6 de novembro de 2010

Posse da Dilma : o Rio estará lá

O Sérgio Telles está organizando uma caravana. Quem vai ?

Por Sérgio Telles

É inegável que, com o esforço da militância virtual que muitas vezes também tornou-se real e ocupou de maneira espetacular as ruas de todo o Brasil, agora todos estamos mais do que no desejo de ver esse momento histórico da despedida do maior presidente da história do Brasil e o maior líder político do mundo nos últimos anos, Lula, e a posse da primeira mulher presidente do Brasil, Dilma Rousseff.


Nós demos nosso sangue por essa vitória, perdemos o sono, fomos incansáveis, mesmo sob chuva, sob sol forte, estivemos lá, convencendo e mostrando a verdade e a importância que um governo para todos possui para o futuro não apenas do Brasil, mas da humanidade como um todo.


Aqui no Rio de Janeiro, o impacto de nossa militância foi dos mais intensos, especialmente na Região Metropolitana, aonde obtivemos vantagem significativa na maioria dos locais, chegando a extremos de mais de 80% de votos válidos para Dilma.

A militância carioca está de parabéns.


Agora, podemos nos juntar para organizar a posse de Dilma. Fazer uma caravana e fretar um voo é uma ótima opção, e tendo um grupo grande fazendo contato com pessoas de Brasília, podemos ficar em algum espaço "amigo" de baixo custo, especialmente que tenham grandes vestiários e banheiros suficientes, lá em Brasília com a quantidade de caravanas que todos os anos ocorrem na cidade, espaços assim devem existir com certeza.


A posse ocorre no dia 1° de janeiro de 2011, que é um sábado. Dia 31, sexta-feira, a maioria das pessoas não trabalham. Como é reveillon, e o natural é que as pessoas virem a noite em festa, o ideal era que a militância já estivesse em Brasília para o reveillon, fazendo uma grande festa, e durante o dia emendava direto com a posse e voltava no sábado a noite. Tentei a semana inteira a possibilidade de um evento no dia 02/01, domingo, mas como não houveram respostas, acho melhor descartá-lo.


Ir no sábado de manhã e voltar no mesmo dia era outra opção, mas é difícil e numa época em que chuvas são comuns, podem simplesmente fazer a gente perder a posse, o que seria lamentável. É melhor chegar no dia anterior pra ter garantia de estar lá.


Outra opção, caso o pessoal de outros estados se juntem nessa organização de um encontro nacional da militância virtual em Brasília, seria aí sim ou fazer um "reveillon da militância" no dia 31, ou esticar a permanência até a madrugada de 01 para 02/01 e fazer um encontro da militância no sábado a noite, em algum ginásio de Brasília.


Para demonstrar desejo de participar, solicito que enviem e-mail para stelles@gmail.com com o assunto POSSE DA DILMA: EU QUERO IR (e apenas essa forma de contato, não fiquem mandando outras mensagens porque bagunça tudo) e tenham consciência que o gasto duma viagem dessas, mesmo buscando um pacote bastante simples, deve ser na ordem de 500 reais pelo menos, considerando alimentação, alguma despesa com hospedagem e mais as passagens. Mande sua mensagem até o próximo final de semana, dia 15/11, que faremos os contatos a partir da outra semana em busca de um pacote legal e de baixo custo. Podem se inscrever quantas pessoas quiserem, militantes virtuais, reais, simpatizantes, basta apenas se comprometer a ir depois que mandou o e-mail, porque senão fura o planejamento.


Fico no aguardo do maior número de adesões possíveis. Divulguem essa mensagem, para mais interessados participarem.

Do blog Opiniões de Sérgio Telles


sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Tá na hora da janta

O Brasil compreende e aceita Lula - e dá ao presidente inédita popularidade entre os homens do poder - porque Lula compreendeu e aceitou o Brasil. É simples assim.

Certos segmentos da elite e da grande imprensa, que tentam desqualificar Lula e o seu eleitorado, agem como as madames quatrocentonas paulistas que oferecem banquetes para duzentos talheres em suas mansões. Cheias de si, conhecedoras das regras de etiqueta dos grandes ágapes, as madames se horrorizam quando alguém esculhamba o ritual, inverte pratos e facas, altera a ordem dos copos e desarticula as pompas e circunstâncias da festa.

Toda liturgia pressupõe um jogo de poder. A imposição de regras de etiqueta serviu, ao longo da história, para delimitar terrenos, marcar territórios e colocar cada qual em seu devido lugar. Quem não respeita a liturgia, a regra, os chamados bons modos, não merece frequentar o clube dos bem nascidos e a mesa dos poderosos.


Desta forma o discurso da etiqueta serve, não raro, para segregar, erguer paredões, consolidar posições e inibir mudanças. Assim acontece - e de forma exacerbada - na esfera da política, reino repleto de todos os salamaleques cerimoniais que caracterizam as sociedades hierarquizadas.


O recado da liturgia é claro: os que não conhecem o cerimonial e não sabem se comportar não merecem frequentar a fidalguia dos salões. Somos, afinal de contas, o país que reproduziu trezentos anos de casa grande e senzala na arquitetura dos apartamentos com dependências de empregadas, os chamados quartinhos de fundos.


O que certa elite não perdoa em Lula é exatamente a dimensão simbólica de sua presidência - aquela que subverte a liturgia e, desta maneira, quebra a lógica de segregação que o exercício do cargo de mando geralmente impõe.


Lula é o batuque da senzala que abafa o bafafá da casa grande; é canto de torcida que invade os nobres balcões dos teatros de ópera; é a empregada doméstica que rasga o uniforme branco - em alvo contraste com o corpo preto - que escancara visualmente sua função de mucama da sinhá. Lula é, enfim, o homem comum que botou a faixa e subiu a rampa - território outrora destinado aos generais com seus galardões e aos bem nascidos principes das sociologias.


A imagem mais emblematica desse simbolismo foi a de Lula carregando um isopor cheio de cervejas em um dia de praia. Os jornalões estamparam nas primeiras páginas, com manchetes e charges que travestiam em humor o preconceito e o espanto, a figura do presidente da República agindo como homem comum. Não se espantariam, todavia, se um empregado carregasse a bebida do presidente, feito o negro de ganho que em antanhos carregava os pesos e pertences do senhor.


Os homens miúdos são necessários para preparar o jantar, arrumar talheres, manobrar os carros, limpar os banheiros, tirar a poeira e varrer os comodos das mansões. Chegam até mesmo a receber algumas gentilezas que mascaram a indiferença cordial dos poderosos. Que os miúdos fiquem longe, porém, do banquete de não sei quantos copos, garfos e facas de prata.


Os doutos poderosos não entendem Lula simplesmente porque nunca carregaram o isopor e ainda se esqueceram, trancafiados em decadentes palacetes, de olhar o céu e constatar que anoiteceu no Brasil (e como está bonita essa noite clara, de lua cheia e gente na rua).


Tá na hora da janta, a fome é tanta e a mesa é nossa.


Abraços

Texto de Luiz Antônio Simas publicado em Histórias Brasileiras


quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Dilma firma compromisso com Lan Houses

A revolução da internet nas periferias brasileiras

A verdadeira revolução que a internet provoca na vida de milhões de brasileiros está estritamente ligada as Lan Houses. É na periferia que elas fazem a maior diferença porque são responsáveis pela metade dos acessos dos internautas brasileiros. Sei que mais de 90% das Lan Houses funcionam na informalidade, mas vou legalizar esses estabelecimentos e criar linhas de crédito para eles. O Governo precisa ser parceiro das Lan Houses, estimular o potencial que elas tem. Vamos trabalhar juntos na construção de verdadeiros espaços coletivos, onde as pessoas se reunem para trocar informações e acessar serviços.

Recado de Dilma

#dilmanarede


segunda-feira, 25 de outubro de 2010

O protegido Paulo Preto

Esse é o Paulo Preto (foto) que o Serra insistia em dizer que não o conhecia. E pelo visto , o mesmo modus operandi do "DEMo" José Roberto Arruda - que seria vice de José Serra nessa disputa com a Dilma Rousseff ao Palácio do Planalto se não fosse preso - em esconder dinheiro na meia.

Leia a reportagem da revista ISTOÉ Independente abaixo,antes de censurarem o artigo. Sabe-se lá!

Tá lembrado dele , Serra ?

Delegada que prendeu engenheiro por receptação de joia roubada sofreu pressões do alto escalão do governo paulista para liberar o arrecadador tucano
Sérgio Pardellas e Claudio Dantas Sequeira

Nos últimos dias, integrantes do PSDB voltaram a fazer contorcionismos verbais na tentativa de reduzir a importância do engenheiro e ex-diretor do Dersa Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, personagem revelado em agosto por ISTOÉ que tem trazido constrangimento para a campanha do candidato tucano à Presidência, José Serra. Até agora, era sabido que Paulo Preto, além de ex-diretor da estatal responsável pelas principais obras viárias de São Paulo, virou alvo de acusações de líderes do PSDB porque teria dado sumiço em R$ 4 milhões arrecadados de forma desconhecida para a campanha tucana. Sentindo-se abandonado, depois que o candidato do PSDB ao Planalto negou conhecê-lo, Paulo Preto fez ameaças públicas e passou a ser defendido por Serra. Todo esse enredo já seria suficiente para mostrar a influência do engenheiro, cuja força a campanha do PSDB insiste em tentar diminuir. Mas os bastidores da prisão de Paulo Preto, há quatro meses, por receptação de joia roubada, são ainda mais reveladores do peso do ex-diretor do Dersa nas hostes tucanas.

IRREGULAR
TCE condena Paulo Preto e o diretor-presidente do Dersa
por contrato sem licitação em obra do rodoanel

O engenheiro foi preso em flagrante no dia 12 de junho, na loja de artigos de luxo Gucci, dentro do Shopping Iguatemi, no momento em que negociava ilegalmente um bracelete de brilhantes avaliado em R$ 20 mil. Detido pela polícia, Paulo Preto foi encaminhado ao 15° DP, localizado no Itaim Bibi, bairro nobre de São Paulo. Por coincidência, estava na delegacia naquele momento, registrando uma ocorrência, o deputado Celso Russomano (PP-SP). Ali ele presenciou uma cena pouco usual. A delegada titular do distrito, Nilze Baptista Scapulattielo, conforme Russomano contou a ISTOÉ, foi pressionada por autoridades da Polícia Civil e do governo de São Paulo para livrar o engenheiro da prisão. “Ela recebeu ligação do Aloysio (Nunes Ferreira, ex-chefe da Casa Civil), do delegado-geral, do delegado do Decap (Departamento de Polícia Judiciária da Capital), isso tudo na minha frente, para aliviar o Paulo Preto. A pressão era para não prendê-lo em flagrante delito”, disse Russomano.

Ou seja, dois meses depois de ter sido demitido da Dersa, o ex-diretor ainda era tratado com privilégios por membros da cúpula do governo paulista. Para defendê-lo, foram capazes até de agir ao arrepio da lei, que deveria valer de maneira igualitária para todos. Mas as pressões não foram suficientes para tirar do prumo a delegada, que cumpriu suas obrigações profissionais. Nilze Baptista é conhecida no meio policial pela competência e pulso forte. Além de prender Paulo Preto, enquadrou o engenheiro como receptador de joia roubada. No boletim de ocorrência, Nilze Baptista disse que, durante a detenção, foram encontrados R$ 2.742 na calça e R$ 8.500 no bolso da jaqueta bege de Paulo Vieira de Souza. Escapou-lhe, porém, um pequeno detalhe que joga um ingrediente ainda mais peculiar no episódio. “Quando Paulo Preto foi flagrado pela polícia, também havia dinheiro nas meias”, revela Russomano. Durante a ação policial, os agentes ainda apreenderam com Paulo Preto um veículo esportivo de luxo BMW Z4 2009/2010, avaliado em R$ 250 mil. Horas depois, o veículo foi liberado. Já o engenheiro passou dois dias no xadrez.

DINHEIRO
Policiais encontram mais de R$ 11 mil
nas roupas do engenheiro

Em breve, Paulo Preto também poderá ter de se explicar por suas estripulias na esfera administrativa. Ao rejeitar as acusações sobre a suposta atividade de arrecadador informal do PSDB, o engenheiro estufa o peito para falar de suas qualidades de administrador probo e eficiente. Mas diversas ações abertas pelo Ministério Público de São Paulo desde 2008, para investigar problemas em contratos do Dersa, sugerem um quadro bem diferente do que pinta o ex-diretor. Há, por exemplo, sete investigações em curso sobre irregularidades e superfaturamento no pagamento das indenizações de desapropriação de imóveis para obras, como o trecho sul do rodoanel. Os promotores também apuram eventual prejuízo ao erário na execução do contrato firmado com o consórcio responsável pela mesma obra, tanto na “metodologia empregada para a construção de pontes” como no “emprego de material diverso do ajustado”. O trecho sul do rodoanel custou aos cofres públicos R$ 5 bilhões.

Muitas dessas apurações partiram de processos julgados irregulares pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-SP), que no início de setembro condenou um contrato de R$ 1,4 milhão, firmado sem licitação pelo Dersa com o chamado Instituto Internacional de Ecologia e Gerenciamento Ambiental (IIEGA). O termo de parceria foi assinado em junho de 2007 por Paulo Vieira de Souza, então responsável pela engenharia, e o diretor-presidente do Dersa, Thomaz de Aquino Nogueira – que foi multado em R$ 16 mil. Para os conselheiros do TCE-SP, o Dersa não conseguiu justificar a escolha da contratada “em detrimento de outras instituições ou empresas habilitadas a prestar os serviços” e a “ausência de elementos utilizados para a avaliação da economicidade”. Curiosamente, o instituto de ecologia foi criado pelo cientista José Galizia Tundisi, que presidiu o CNPq durante o primeiro mandato do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Na gestão de Tundisi, o Tribunal de Contas da União (TCU) apontou várias irregularidades e chegou a multá-lo por conta do aumento ilegal de 160% no valor de um contrato milionário firmado com a IBM.

Apesar das evidências envolvendo Paulo Preto, o PSDB e José Serra continuam a tratar o tema como um assunto de pouca importância. Embora tenha nomeado uma das filhas do ex-diretor do Dersa, Tatiana Arana Souza Cremonini, para cargo de confiança, no mês em que assumiu o governo de São Paulo, Serra disse que não teve responsabilidade pela contratação quando foi questionado sobre o indício de “nepotismo” em entrevista ao “Jornal Nacional” na terça-feira 19. Tatiana trabalha no cerimonial do Palácio dos Bandeirantes, com salário de R$ 4.595 e, segundo fontes ouvidas por ISTOÉ, era vista com frequência ao lado do então governador. Hoje, Tatiana está de férias. “Essa menina foi contratada – eu não a conhecia, não foi diretamente por mim – para trabalhar no cerimonial que faz recepções, que cuida de solenidades e tudo mais. Sempre trabalhou corretamente. Inclusive eu só vim a saber que era filha de um diretor de uma empresa muito tempo depois”, afirmou o tucano. Durante sua gestão à frente da Prefeitura de São Paulo, Serra contratou a mesma filha de Paulo Preto para um cargo de confiança na SPTuris.

As últimas revelações levaram os líderes do PT na Assembleia Legislativa de São Paulo a pedir a abertura de uma CPI para apurar o caso. Em Brasília, os petistas, com o apoio de parlamentares do PDT, agiram em outra frente. Na terça-feira 19, protocolaram na Procuradoria-Geral da República representações pedindo a investigação de denúncias. A representação do PT é assinada pelos deputados Cândido Vaccarezza (SP), líder do governo na Câmara, e por Fernando Ferro (PE), líder do PT. “Ele (Paulo Preto) é réu confesso. Depois das informações sobre o sumiço do dinheiro arrecadado para a campanha, ele deu entrevista dizendo que ninguém deu mais condições de as empresas apoiarem a campanha. Além disso, há sinais claros de enriquecimento ilícito, por isso pedimos a investigação dos fatos e das confissões feitas por Paulo Vieira. É dinheiro público, há evidência de corrupção”, afirmou Vaccarezza.

Colaborou: Alan Rodrigues

“Ele tinha dinheiro na meia”

ISTOÉ – O sr. testemunhou a prisão do Paulo Preto?
Celso Russomano – Foi uma coincidência. Eu tinha ido ao 15° Distrito para resolver um outro problema envolvendo um segurança particular de um condomínio, que estava determinando quem podia e não podia estacionar em um espaço público. Quando eu cheguei à delegacia, a delegada titular do distrito me contou o que estava acontecendo. Ela me disse que o Paulo Preto estava lá e vi que ela estava sofrendo uma pressão grande.

ISTOÉ – Pressão de quem?
Russomano – Ela recebeu ligação do Aloysio (Nunes Ferreira), recebeu ligação do delegado-geral, do delegado do Decap, isso tudo na minha frente, para aliviar o Paulo Preto. A pressão era para não prendê-lo em flagrante delito. E aí eu até a aconselhei, dizendo para ela agir da forma correta. Disse até que ela não poderia prevaricar, senão seria crime. Ainda perguntei para ela: “Como a senhora vai explicar para o segurança e o gerente da loja que estão aqui?”

ISTOÉ – E o que ela disse?
Russomano – Ela disse, na frente do batalhão de advogados que estava lá, que realmente não poderia fazer nada errado e que se o Paulo Preto tinha sido encontrado com joia roubada ele era mesmo receptador. Ela então me relatou que quando o Paulo Preto foi preso e conduzido para o distrito havia sido encontrado dinheiro nas meias, na calça e na jaqueta. Ou seja, em todo lugar da roupa dele tinha dinheiro.

ISTOÉ – O que aconteceu depois?
Russomano – Depois dessa história várias pessoas me procuraram dizendo “É, você estava na delegacia, tal, esse cara é um cara que você precisava conhecer...” Respondi que não precisava conhecer, não. Conhecer por quê? Aí me disseram que hoje ele tem muita força.

Copiado da ISTOÉ Independente


domingo, 24 de outubro de 2010

A Saúde em Campos vai parar

Saúde em Movimento
Depois da manifestação dos profissionais da Educação ocorrida, na última sexta feira, 22, o prefeito Nelson Nahim pode se antecipar e tentar abortar movimento semelhante na área da Saúde.
A principal reivindicação é a tão discutida isonomia salarial entre os que trabalham no Hospital Ferreira Machado, Hospital Geral de Guarús e postos de atendimento 24h.
Há ainda uma crescente insatisfação com a interferência indevida da controladoria sobre recursos do Fundo Municipal da Saúde. O problema é uma bomba de efeito retardado. Uma comissão vai tentar uma audiência com o prefeito, nos próximos dias para discutir o assunto.
Fonte: Blog do Fernando Leite

Do Blog da Branca

Já está ocorrendo uma mobilização para uma greve de advertência nas unidades de emergência 24h e no HGG para exigirmos o cumprimento da promessa de isonomia salarial dos profissionais que atuam nessas instituições com os que atuam no Hospital Ferreira Machado. Cada um fala uma coisa, e até agora, nada de concreto para a categoria. Chega de conversa fiada! É hora de mobilização! Dinheiro tem ,pois terceirizados que atuam no Emergência em casa e no Pronto Atendimento Pediátrico do HGG recebem mais para trabalhar menos que os concursados!


sábado, 16 de outubro de 2010

Conta do ator José de Abreu no Twitter é apagada logo após declarar apoio à Dilma

Estranho,muito estranho!

Seria mais uma censura da Globo aos seus atores?

Poucas horas depois de usar o Twitter para declarar apoio a Dilma Rousseff (PT) e chamar José Serra (PSDB) de “fascista”, a conta do ator José de Abreu foi apagada.

Utilizando a TwitCam, um serviço de vídeo, o ator expôs suas opiniões sobre o quadro eleitoral por cerca de duas horas na noite de sexta-feira. Na manhã desta sábado, quem procurava pela conta de Abreu, @zebigorna, era informado que ela não existe.

O ator não deu explicações, até o momento, sobre o que ocorreu.

Abreu reuniu uma audiência de cerca de 10 mil pessoas durante sua conversa sobre política. Além das críticas a Serra, também chamou o seu candidato a vice, Índio da Costa, de “surfistinha do Rio de Janeiro”.

Defendeu a legalização da maconha, “como o Fernando Henrique”, e criticou “a onda conservadora que tomou de assalto o Brasil”. “Tenho 64 anos, cinco filhos e quatro netos. É incrível ver jovens tão reacionários, atrasados, e devem até fumar um baseadinho, ficar aqui me criticando. Hipocrisia é fogo.”

Diversos internautas perguntaram ao ator durante a transmissão se ele não estava bêbado. Abreu respondeu que estava bebendo uma cerveja apenas.

O ator também foi questionado sobre a Rede Globo. Observou que é funcionário da emissora há mais de 30 anos e que respeita a proibição de não aparecer na televisão fazendo campanha política. “Eu não estou na TV, estou no Twitter”, observou.

Abreu disse que está escalado para trabalhar na próxima novela das 9, “Insensato Coração”, de Gilberto Braga, com estreia prevista para janeiro. “A não ser que vocês liguem pra Globo reclamando que eu sou comunista fdp. Mas a Globo não vai fazer isso.”

Blog do Maurício Stycer

Editando às 22:10 h

A Conceição Oliveira em seu Twitter esclarece em 3 micropostagens que o ator José de Abreu resolveu deletar sua conta por ameaça de tuiteiros pró-Serra.

"Zé de Abreu acaba de me ligar, disse que tirou a conta porque começou a receber muitas ameaças via DM (1)"

"Zé de Abreu também disse que por diversas vezes leu em voz alta as mensagens agressivas com palavrões que recebeu no chat da twitcam (2)"

"@mauriciostycer Zé de Abreu deletou sua conta na madrugada porque recebeu inúmeras ameaças via DM dos trolleiros anti-petistas."

Editando em 21 de outubro de 2010

O Twitter do ator José de Abreu agora encontra-se no link a seguir: http://twitter.com/JosedeAbreureal


quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Por uma aliança entre Marina Silva e Dilma Rousseff

Leonardo Boff apoia

Há dois projetos em ação: um é o neoliberal ainda vigente no mundo e no Brasil apesar da derrota de suas principais teses na crise de 2008. Esse nome visa dissimular aos olhos de todos, o caráter altamente depredador do processo de acumulação, concentrador de renda que tem como contrapartida o aumento vertiginoso das injustiças, da exclusão e da fome. José Serra representa esse ideário. O outro projeto é o da democracia social e popular do PT. Sua base social é o povo organizado e todos aqueles que pela vida afora se empenharam por um outro Brasil. Dilma Rousseff se propõe garantir e aprofundar a continuidade deste projeto. É aquí que entra a missão de Marina Silva com seus cerca de vinte milhões de votos. O artigo é de Leonardo Boff.

Leonardo Boff(*)

O Brasil está ainda em construção. Somos inteiros mas não acabados. Nas bases e nas discussões políticas sempre se suscita a questão: que Brasil finalmente queremos?

É então que surgem os vários projetos políticos elaborados a partir de forças sociais com seus interesses econômicos e ideológicos com os quais pretendem moldar o Brasil.

Agora, no segundo turno das eleições presidenciais, tais projetos repontam com clareza. É importante o cidadão consciente dar-se conta do que está em jogo para além das palavras e promessas e se colocar criticamente a questão: qual dos projetos atende melhor às urgências das maiorias que sempre foram as “humilhadas e ofendidas” e consideradas “zeros econômicos” pelo pouco que produzem e consomem.

Essas maiorias conseguiram se organizar, criar sua consciência própria, elaborar o seu projeto de Brasil e digamos, sinceramente, chegaram a fazer de alguém de seu meio, Presidente do pais, Luiz Inácio Lula da Silva. Fou uma virada de magnitude histórica.

Há dois projetos em ação: um é o neoliberal ainda vigente no mundo e no Brasil apesar da derrota de suas principais teses na crise econômico-financeira de 2008. Esse nome visa dissimular aos olhos de todos, o caráter altamente depredador do processo de acumulação, concentrador de renda que tem como contrapartida o aumento vertiginoso das injustiças, da exclusão e da fome. Para facilitar a dominação do capital mundializado, procura-se enfraquecer o Estado, flexibilizar as legislações e privatizar os setores rentáveis dos bens públicos.

O Brasil sob o governo de Fernando Henrique Cardoso embarcou alegremente neste barco a ponto de no final de seu mandato quase afundar o Brasil. Para dar certo, ele postulou uma população menor do que aquela existente. Cresceu a multidão dos excluidos. Os pequenos ensaios de inclusão foram apenas ensaios para disfarçar as contradições inocultáveis.

Os portadores deste projeto são aqueles partidos ou coligações, encabeçados pelo PSDB que sempre estiveram no poder com seus fartos benesses. Este projeto prolonga a lógica do colonialismo, do neocolonialismo e do globocolonialismo pois sempre se atém aos ditames dos paises centrais.

José Serra, do PSDB, representa esse ideário. Por detrás dele estão o agrobusiness, o latifúndio tecnicamente moderno e ideologicamente retrógrado, parte da burguesia financeira e industrial. É o núcleo central do velho Brasil das elites que precisamos vencer pois elas sempre procuram abortar a chance de um Brasil moderno com uma democracia inclusiva.

O outro projeto é o da democracia social e popular do PT. Sua base social é o povo organizado e todos aqueles que pela vida afora se empenharam por um outro Brasil. Este projeto se constrói de baixo para cima e de dentro para fora. Que forjar uma nação autônoma, capaz de democratizar a cidadania, mobilizar a sociedade e o Estado para erradicar, a curto prazo, a fome e a pobreza, garantir um desenvolvimento social includente que diminua as desigualdades. Esse projeto quer um Brasil aberto ao diálogo com todos, visa a integração continental e pratica uma política externa autônoma, fundada no ganha-ganha e não na truculência do mais forte.

Ora, o governo Lula deu corpo a este projeto. Produziu uma inclusão social de mais de 30 milhões e uma diminuição do fosso entre ricos e pobres nunca assistido em nossa história. Representou em termos políticos uma revolução social de cunho popular pois deu novo rumo ao nosso destino. Essa virada deve ser mantida pois faz bem a todos, principalmente às grandes maiorias, pois lhes devolveu a dignidade negada.

Dilma Rousseff se propõe garantir e aprofundar a continuidade deste projeto que deu certo. Muito foi feito, mas muito falta ainda por fazer, pois a chaga social dura já há séculos e sangra.

É aquí que entra a missão de Marina Silva com seus cerca de vinte milhões de votos. Ela mostrou que há uma faceta significativa do eleitorado que quer enriquecer o projeto da democracia social e popular. Esta precisa assumir estrategicamente a questão da natureza, impedir sua devastação pelas monoculturas, ensaiar uma nova benevolência para com a Mãe Terra. Marina em sua campanha lançou esse programa. Seguramente se inclinará para o lado de onde veio, o PT, que ajudou a construir e agora a enriquecer. Cabe ao PT escutar esta voz que vem das ruas e com humildade saber abrir-se ao ambiental proposto por Marina Silva.

Sonhamos com uma democracia social, popular e ecológica que reconcilie ser humano e natureza para garantir um futuro comum feliz para nós e para a humanidade que nos olha cheia de esperança.

(*) Leonardo Boff é teólogo

Carta Capital


Maria Rita Kehl pode ser demitida do Estadão

Por causa do editorial abaixo publicado pela jornalista no jornalão do PIG paulista.

"Se o povão das chamadas classes D e E - os que vivem nos grotões perdidos do interior do Brasil - tivesse acesso à internet, talvez se revoltasse contra as inúmeras correntes de mensagens que desqualificam seus votos. "

Por Maria Rita Kehl - O Estado de S.Paulo

Dois pesos...

Este jornal teve uma atitude que considero digna: explicitou aos leitores que apoia o candidato Serra na presente eleição. Fica assim mais honesta a discussão que se faz em suas páginas. O debate eleitoral que nos conduzirá às urnas amanhã está acirrado. Eleitores se declaram exaustos e desiludidos com o vale-tudo que marcou a disputa pela Presidência da República. As campanhas, transformadas em espetáculo televisivo, não convencem mais ninguém. Apesar disso, alguma coisa importante está em jogo este ano. Parece até que temos luta de classes no Brasil: esta que muitos acreditam ter sido soterrada pelos últimos tijolos do Muro de Berlim. Na TV a briga é maquiada, mas na internet o jogo é duro.


Se o povão das chamadas classes D e E - os que vivem nos grotões perdidos do interior do Brasil - tivesse acesso à internet, talvez se revoltasse contra as inúmeras correntes de mensagens que desqualificam seus votos. O argumento já é familiar ao leitor: os votos dos pobres a favor da continuidade das políticas sociais implantadas durante oito anos de governo Lula não valem tanto quanto os nossos. Não são expressão consciente de vontade política. Teriam sido comprados ao preço do que parte da oposição chama de bolsa-esmola.

Uma dessas correntes chegou à minha caixa postal vinda de diversos destinatários. Reproduzia a denúncia feita por "uma prima" do autor, residente em Fortaleza. A denunciante, indignada com a indolência dos trabalhadores não qualificados de sua cidade, queixava-se de que ninguém mais queria ocupar a vaga de porteiro do prédio onde mora. Os candidatos naturais ao emprego preferiam viver na moleza, com o dinheiro da Bolsa-Família. Ora, essa. A que ponto chegamos. Não se fazem mais pés de chinelo como antigamente. Onde foram parar os verdadeiros humildes de quem o patronato cordial tanto gostava, capazes de trabalhar bem mais que as oito horas regulamentares por uma miséria? Sim, porque é curioso que ninguém tenha questionado o valor do salário oferecido pelo condomínio da capital cearense. A troca do emprego pela Bolsa-Família só seria vantajosa para os supostos espertalhões, preguiçosos e aproveitadores se o salário oferecido fosse inconstitucional: mais baixo do que metade do mínimo. R$ 200 é o valor máximo a que chega a soma de todos os benefícios do governo para quem tem mais de três filhos, com a condição de mantê-los na escola.

Outra denúncia indignada que corre pela internet é a de que na cidade do interior do Piauí onde vivem os parentes da empregada de algum paulistano, todos os moradores vivem do dinheiro dos programas do governo. Se for verdade, é estarrecedor imaginar do que viviam antes disso. Passava-se fome, na certa, como no assustador Garapa, filme de José Padilha. Passava-se fome todos os dias. Continuam pobres as famílias abaixo da classe C que hoje recebem a bolsa, somada ao dinheirinho de alguma aposentadoria. Só que agora comem. Alguns já conseguem até produzir e vender para outros que também começaram a comprar o que comer. O economista Paul Singer informa que, nas cidades pequenas, essa pouca entrada de dinheiro tem um efeito surpreendente sobre a economia local. A Bolsa-Família, acreditem se quiserem, proporciona as condições de consumo capazes de gerar empregos. O voto da turma da "esmolinha" é político e revela consciência de classe recém-adquirida.

O Brasil mudou nesse ponto. Mas ao contrário do que pensam os indignados da internet, mudou para melhor. Se até pouco tempo alguns empregadores costumavam contratar, por menos de um salário mínimo, pessoas sem alternativa de trabalho e sem consciência de seus direitos, hoje não é tão fácil encontrar quem aceite trabalhar nessas condições. Vale mais tentar a vida a partir da Bolsa-Família, que apesar de modesta, reduziu de 12% para 4,8% a faixa de população em estado de pobreza extrema. Será que o leitor paulistano tem ideia de quanto é preciso ser pobre, para sair dessa faixa por uma diferença de R$ 200? Quando o Estado começa a garantir alguns direitos mínimos à população, esta se politiza e passa a exigir que eles sejam cumpridos. Um amigo chamou esse efeito de "acumulação primitiva de democracia".

Mas parece que o voto dessa gente ainda desperta o argumento de que os brasileiros, como na inesquecível observação de Pelé, não estão preparados para votar. Nem todos, é claro. Depois do segundo turno de 2006, o sociólogo Hélio Jaguaribe escreveu que os 60% de brasileiros que votaram em Lula teriam levado em conta apenas seus próprios interesses, enquanto os outros 40% de supostos eleitores instruídos pensavam nos interesses do País. Jaguaribe só não explicou como foi possível que o Brasil, dirigido pela elite instruída que se preocupava com os interesses de todos, tenha chegado ao terceiro milênio contando com 60% de sua população tão inculta a ponto de seu voto ser desqualificado como pouco republicano.

Agora que os mais pobres conseguiram levantar a cabeça acima da linha da mendicância e da dependência das relações de favor que sempre caracterizaram as políticas locais pelo interior do País, dizem que votar em causa própria não vale. Quando, pela primeira vez, os sem-cidadania conquistaram direitos mínimos que desejam preservar pela via democrática, parte dos cidadãos que se consideram classe A vem a público desqualificar a seriedade de seus votos.

Reprodução do Estadão


domingo, 26 de setembro de 2010

Agora sim! O Estadão é Serra

O jornal O Estado de São Paulo,em editorial,afirma com todas as letras que apoia o candidato tucano José Serra.

Qual será o próximo jornal brasileiro a tomar essa posição para que fique bem claro ao seu leitor,o direcionamento de suas matérias? Assim como os blogs sujos fazem.

Leia abaixo,na íntegra,o editorial desse domingo.

O mal a evitar

A acusação do presidente da República de que a Imprensa "se comporta como um partido político" é obviamente extensiva a este jornal. Lula, que tem o mau hábito de perder a compostura quando é contrariado, tem também todo o direito de não estar gostando da cobertura que o Estado, como quase todos os órgãos de imprensa, tem dado à escandalosa deterioração moral do governo que preside. E muito menos lhe serão agradáveis as opiniões sobre esse assunto diariamente manifestadas nesta página editorial. Mas ele está enganado. Há uma enorme diferença entre "se comportar como um partido político" e tomar partido numa disputa eleitoral em que estão em jogo valores essenciais ao aprimoramento se não à própria sobrevivência da democracia neste país.

Com todo o peso da responsabilidade à qual nunca se subtraiu em 135 anos de lutas, o Estado apoia a candidatura de José Serra à Presidência da República, e não apenas pelos méritos do candidato, por seu currículo exemplar de homem público e pelo que ele pode representar para a recondução do País ao desenvolvimento econômico e social pautado por valores éticos. O apoio deve-se também à convicção de que o candidato Serra é o que tem melhor possibilidade de evitar um grande mal para o País.

Efetivamente, não bastasse o embuste do "nunca antes", agora o dono do PT passou a investir pesado na empulhação de que a Imprensa denuncia a corrupção que degrada seu governo por motivos partidários. O presidente Lula tem, como se vê, outro mau hábito: julgar os outros por si. Quem age em função de interesse partidário é quem se transformou de presidente de todos os brasileiros em chefe de uma facção que tanto mais sectária se torna quanto mais se apaixona pelo poder. É quem é o responsável pela invenção de uma candidata para representá-lo no pleito presidencial e, se eleita, segurar o lugar do chefão e garantir o bem-estar da companheirada. É sobre essa perspectiva tão grave e ameaçadora que os eleitores precisam refletir. O que estará em jogo, no dia 3 de outubro, não é apenas a continuidade de um projeto de crescimento econômico com a distribuição de dividendos sociais. Isso todos os candidatos prometem e têm condições de fazer. O que o eleitor decidirá de mais importante é se deixará a máquina do Estado nas mãos de quem trata o governo e o seu partido como se fossem uma coisa só, submetendo o interesse coletivo aos interesses de sua facção.

Não precisava ser assim. Luiz Inácio Lula da Silva está chegando ao final de seus dois mandatos com níveis de popularidade sem precedentes, alavancados por realizações das quais ele e todos os brasileiros podem se orgulhar, tanto no prosseguimento e aceleração da ingente tarefa - iniciada nos governos de Itamar Franco e Fernando Henrique - de promover o desenvolvimento econômico quanto na ampliação dos programas que têm permitido a incorporação de milhões de brasileiros a condições materiais de vida minimamente compatíveis com as exigências da dignidade humana. Sob esses aspectos o Brasil evoluiu e é hoje, sem sombra de dúvida, um país melhor. Mas essa é uma obra incompleta. Pior, uma construção que se desenvolveu paralelamente a tentativas quase sempre bem-sucedidas de desconstrução de um edifício institucional democrático historicamente frágil no Brasil, mas indispensável para a consolidação, em qualquer parte, de qualquer processo de desenvolvimento de que o homem seja sujeito e não mero objeto.

Se a política é a arte de aliar meios a fins, Lula e seu entorno primam pela escolha dos piores meios para atingir seu fim precípuo: manter-se no poder. Para isso vale tudo: alianças espúrias, corrupção dos agentes políticos, tráfico de influência, mistificação e, inclusive, o solapamento das instituições sobre as quais repousa a democracia - a começar pelo Congresso. E o que dizer da postura nada edificante de um chefe de Estado que despreza a liturgia que sua investidura exige e se entrega descontroladamente ao desmando e à autoglorificação? Este é o "cara". Esta é a mentalidade que hipnotiza os brasileiros. Este é o grande mau exemplo que permite a qualquer um se perguntar: "Se ele pode ignorar as instituições e atropelar as leis, por que não eu?" Este é o mal a evitar.

Estadão

Leia também,abaixo,o comentário de um leitor do jornal que assina como Valeriano Oliveira.

Viva a "liberdade de expressão", que lhes confere o direito de chamar um presidente com 80% de aprovação de chefe de facção.

Desejo que afundem tal qual seu candidato. Pelo menos não abandonaram a nau mesmo sabendo de seu naufrágio, quem sabe o Alckimin continue bancando este jornal com os R$ 2,5 mi só de assinaturas para disseminar os elogios da ilha da fantasia(SP) deles, afinal esse editorial é maior demonstração de fidelidade, maior até que muitos tucanos como Álvaro Dias e próprio FHC que já jogou a toalha. Eles pagam para não ter notícias desagradáveis ao seu governo. Depois dizem que é o Lula que não aceita crítica.

Parabéns pela soberba e pela defe$a dos interesses deste jornal, pelo menos nós leitores/eleitores saberemos ler este jornal com outros olhos se é continuaremos a lê e VIVA A LIBERDADE DE IMPRENSA (sem direito ao contraditório e totalmente parcial)


sábado, 25 de setembro de 2010

Análise eleitoral da revista ISTOÉ

O encontro das ondas

Carlos José Marques, diretor editorial

O maior erro praticado por diversos setores envolvidos numa campanha política é o de não entender o eleitor. Nesse momento em que o Brasil se aproxima novamente das urnas para eleger candidatos a postos majoritários – inclusive o de presidente –, o fenômeno mais uma vez se repete. Diversos agentes envolvidos no processo eleitoral não deram ouvido e espaço a voz das ruas e a atacam de maneira visceral e virulenta pela opção seguida. Como se ela estivesse errando pela simples razão de escolher. É um movimento ensandecido, radical, com alegações desconectadas da realidade. Pelo olhar desses senhores, “a democracia estaria em risco” e a sociedade brasileira “assombrada pelo autoritarismo”, com eleitores que só enxergam o seu poder de consumo. O que todos precisam estar conscientes no atual cenário é que, passadas quase três décadas desde a redemocratização do País, a vontade popular, mais uma vez e de maneira sadia e inequívoca, será exercida em sua plenitude com o voto. E isso é democracia em estado puro. Enganam-se aqueles que pensam que as instituições estão desestabilizadas ou que a opinião pública é alienada e facilmente manejável. Ela segue, como demonstrou em várias ocasiões, o sentido lógico e racional do que é melhor para ela. Nos últimos anos, uma combinação rara e positiva de avanços sociais e econômicos culminou com uma ascensão notória da qualidade de vida em geral. Empresas estão crescendo, investindo e vendendo mais. Trabalhadores vêm conquistando melhorias salariais e mais empregos, com uma inclusão em larga escala dos cidadãos. E um conjunto amplo de indicadores no campo da educação, saúde e habitação apresenta evoluções inegáveis. Tudo isso explicaria a gigantesca onda vermelha que parece tomar conta do País.

A frente governista, pelo que mostram as pesquisas, deverá fazer na Câmara Federal cerca de 400 dos 513 deputados; 58 dos 81 senadores possíveis e 19 governadores. A candidata da situação, Dilma Rousseff, vem liderando com boa margem em 21 Estados e nos outros seis apresenta empate técnico. A onda contrária da oposição, diante da acachapante derrota em andamento, segue para o confronto com um discurso disparatado, sem propostas e com claros pendores eleitoreiros. Martela discussões sobre a ética como se apenas o seu lado fosse detentor dela. Depois de investir contra a opinião pública e de não reconhecer sua legitimidade, partiu para um movimento que tem um quê de esquizofrenia partidária, com perigosos sinais golpistas. Elaborou um manifesto em que reclama da “visão regressiva do processo político” e usa expressões como “intolerável, inconcebível, constrangedor, aviltante e repugnante” para subliminarmente defender que Dilma Rousseff não deveria chegar ao poder e que José Serra teria o direito natural e inalienável de ser o próximo presidente da República. Nesse intuito, na reta final da campanha, o próprio Serra, tentando angariar incautos de última hora, apelou para promessas populistas irresponsáveis – como o reajuste da previdência, dos aposentados, do salário mínimo além da inflação e até do programa Bolsa Família –, medidas que se adotadas provocariam um estouro monstro nas contas públicas, sem previsão de receita no Orçamento da União. Esse vale-tudo inconsequente de alguns candidatos parece desconsiderar um fato que o sociólogo espanhol Manuel Castells definiu com muita propriedade em entrevista publicada no jornal “Folha de S.Paulo” da semana passada. Segundo ele, “no Brasil, neste momento, não há medo nem insatisfação profunda que faça com que as pessoas queiram mudar”. E aponta: “Os políticos sempre estão atrasados em relação à sociedade.” Talvez porque muitos deles ainda enxerguem o sentimento popular como mera massa de manobra e não como direito a opção. É o choque das ondas.

ISTOÉ Editorial


quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Falhou mesmo!

Haha!

O golpe falhou!

Por Douglas da Mata

Diante da reação do blogosfera, resumida na frase felicíssima do Joca Muylaert, que virou campanha análoga a de 1984 (Diretas Já!), ilustrada com traços de Henfil, adaptados pelo Di Donato, é possível dizer que mais uma "negociata" que estava em curso, nos subterrâneos do poder local, foi revelada e rechaçada.

Pelo contorcionismo praticado pelos barões da mídia PIG local, que passaram da "campanha pela eleição indireta" do clone de prefeito ao entusiasmo democrático em menos de um segundo, podemos entender hoje, com o distanciamento proporcionado pelo decorrer desse curto tempo, o panorama amplo do que se pretendia.

Desde que o clone de prefeito tomou posse, trataram de diluir a imagem do atual mandatário, como articulador e negociador nato, desprezando o fato de que é um dos representantes do garotismo local, e que sua eleição significaria apenas mais do mesmo.

Um exemplo: Quando presidente da Câmara, e fiel escudeiro do governo da Lapa, o clone de prefeito nunca se manifestou acerca do PSF, e pior, no caso das eleições de diretoras das escolas municipais, apoiou descaradamente o que determinava sua prefeita, ou seja: indicação de cabos eleitorais para dirigir as unidades escolares, inclusive com bate-boca e coerção no plenário da Casa.

Tudo isso foi, cuidadosamente, esquecido pela memória enfraquecida pela expectativa de ouvir de novo o som das moedas ao cair nas gavetas da redação.

Daí para a adesão descarada foi um pulo, e a chuva de denúncias que caía insistentemente sobre a ex-prefeita cessou, como se tudo tivesse se transformado da noite para o dia.

É lógico que o estilo pessoal do clone de prefeito trouxe diferença para o cenário, mas tamanha boa vontade, em se tratando de quem são, só nos permite imaginar que milhõe$ de motivo$ mudaram o alvo dos assassinos de reputação, que praticam o pior tipo de jornalixo da região!

Na primeira "fresta", embarcaram na solução da eleição indireta, e abriram espaço amplo para que a versão dos fatos se transformasse na realidade que desejavam.

Não deu certo.

Como o trem da História os atropelaria, pularam a tempo, não sem antes deixar cair a máscara.

Os cúmplices do abuso de poder econômico que condenou um deputado federal, que conspurcaram a Democracia e a vontade do eleitor local, posando de defensores da Democracia.

Os sócios da elite mais canalha e danosa, falando em vontade popular.

Mas de tudo isso, fica a sensação de dever cumprido: O golpe deles não deu certo.
Viva a Rede de Blogs!
Abaixo a mídia golpista da planície lamacenta!

Do blog Planície Lamacenta


Manual do eleitorado LGBT

Grupo LGBT de Brasília

Por Welton Trindade

Para fazer valer a força dos e das centenas de milhares de LGBTs no DF e elegermos quem respeita nossos direitos, é fundamental escolher de forma consciente aqueles que merecem nosso voto.

Nos próximos quatro anos, o Brasil terá união estável para casais do mesmo sexo? A homofobia vai se tornar crime? O Distrito Federal terá um Conselho de Cidadania LGBT? Haverá ações contra a violência homofóbica? A resposta começa a ser dada agora, com o resultados das eleições. Quanto mais candidatas e candidatos comprometidos/as com a cidadania LGBT forem eleitos mais próximos/as estaremos da garantia de nossos direitos.

Para isso, precisamos nos unir e cada um e cada uma de nós pensarmos bem em que candidaturas votar. Veja, a seguir, algumas dicas para todos e todas nós fazermos a escolha certa.

■Não anule, não vote em branco ou deixe de comparecer às urnas. Quando você se omite, um homofóbico pode ganhar a chance de decidir quem irá governar nos próximos quatro anos.
■Na análise das candidaturas, procure saber o que o/a candidato já fez pelos direitos LGBTs. Se o/a candidato já ocupou cargo eletivo, veja o que ele/a fez nesse sentido.
■Faça uma pesquisa na internet e procure declarações do candidato sobre homossexuais, bissexuais e transgêneros. Exemplo de expressão para busca: nome da/o candidato + homossexual gays lésbica
■Dentro da campanha “Pela igualdade, a força do nosso voto” – que é totalmente apartidária -, o Estruturação – Grupo LGBT de Brasília irá fazer uma lista de candidaturas que assinarem um termo de compromisso (veja aqui) com a cidadania arco-íris. A lista estará disponível em 28 de setembro neste hotsite. Assim, ficará mais fácil para você escolher quem merece seu voto.
■É fundamental ver as propostas da candidaturas. Se não encontrar nada sobre LGBTs no plano de governo de seu/ua candidato preferido, mostre para ele os termos de compromisso desta campanha (veja aqui) e peça para que ele assine! Se houver negativa, essa pessoa não merece seu voto! Se o termo for assinado, parabéns por trazer mais um aliado para nossa luta!
■Neste ano, cada eleitor vai votar em duas candidaturas ao Senado. É mais uma chance para fazermos dessa casa legislativa um lugar de respeito à nossa cidadania. O projeto que criminaliza a homofobia, por exemplo, está sendo avaliado pelos senadores. E aí, vamos escolher quem irá aprová-lo?
■A votação do primeiro turno ocorre no domingo 3 de outubro entre 8h e 17h. Portanto, pode se jogar no sábado à noite, sair com os amigos no domingo… É só se planejar para que você aproveite seu domingo e também vote para fazer nossa cidadania avançar.
■Outra novidade: é preciso levar um documento oficial com foto (carteira de identidade, de motorista ou de trabalho, por exemplo) e o Título de Eleitor para poder votar.
Juntos, faremos os segundos na cabine de votação representarem quatro anos de avanço na cidadania arco-íris. Somos uma força e vamos mostrar isso nas urnas!

Parou Tudo


A última luta contra a ditadura

Por Miguel do Rosário

A julgar pelos editoriais, a imprensa brasileira se acha uma vítima trêmula e indefesa, pronta para ser devorada pelo bicho papão totalitário. Claro que há o constrangimento de ter apoiado a ditadura, contra o mesmo bicho papão, mas se ele (o papão) não existia antes e mesmo assim justificou-se um golpe de Estado, não é tão difícil inventar novamente o mesmo inimigo; dessa vez não exatamente para dar um golpe, mas algo mais fácil, como queimar um candidato e eleger outro. Considerando que esses jornais transformaram-se em poderosos conglomerados econômicos à sombra do regime militar, pode-se especular que nossa batalha contra os desmandos desses grupos consiste na última luta dos brasileiros contra o fascismo que pendurou nossa liberdade e nossas esperanças, por vinte longos anos, num pau de arara.

Como empresas privadas, os jornais têm liberdade para defender ou atacar seja quem for, mas a Constituição ficaria grata se evitassem desrespeitar o direito dos indivíduos à honra e à privacidade e, sobretudo, se se esforçassem em conter seus ódios pessoais e tratassem as instituições democráticas e seus representantes com um mínimo de decoro e respeito. Não pedimos isenção. Ao contrário, pedimos honestidade em declarar sua preferência partidária, como fazem os jornais norte-americanos, o que ajudaria os leitores a separar notícia de opinião e entender melhor o que estão lendo.


Conhecemos a imprensa de outros países e francamente não observamos em lugar nenhum do mundo (com exceção dos EUA, onde imprensa deixa bem claro de que lado está) um engajamento partidário tão enlouquecido e agressivo como vemos no Brasil.


A imprensa de fato tornou-se um quarto poder, mas à diferença dos outros poderes, goza de uma liberdade quase selvagem. Pode incentivar as pessoas a tomarem remédios que não precisam, espalhar informações falsas sobre partidos, destruir a reputação de inocentes, pressionar juízes a emitir ordens de prisão (ou de habeas corpus), desestabilizar governos... E quando setores da sociedade, como as associações de medicina, por exemplo, iniciam debates para criar leis que regulamentem o uso de informações sobre saúde, os grupos de mídia não apenas se recusam a dialogar como lançam pesadas acusações contra os que desejam o debate. Eles se pretendem intocáveis. A liberdade de imprensa converte-se, portanto, em objeto de luxo de uso exclusivo de meia dúzia de proprietários de jornais e tv.


Não temos ilusão quanto aos defeitos de nossa classe política e seus representantes, mas também não nos iludimos quanto à perseguição seletiva praticada por uma imprensa desde sempre identificada com ideais conservadores - e portanto com os partidos afinados com esses ideais.


Protestamos, em suma, contra hábitos sinistros que estão se arraigando em nossa imprensa, como fazer acusações sem provas e prejulgar pessoas e instituições de maneira açodada, desrespeitando o princípio da presunção da inocência. Com seu poder, a mídia consegue intimidar inclusive juízes, produzindo outra aberração contra a democracia, que é obstruir o direito de todo cidadão ou empresa de ter um julgamento isento e livre, longe das paixões políticas.


Protestamos, principalmente, contra a tentativa de interferir no processo eleitoral, através da criação de factóides que vão parar diretamente, às vezes no mesmo dia, na página de alguns candidatos. Denúncias devem ser feitas, claro, mas embasadas num mínimo de provas e fundamentos lógicos. Os escândalos que pipocam não nascem da intenção louvável de aprimorar o funcionamento da máquina pública, e sim do desejo mal disfarçado de produzir estragos políticos no adversário da vez.


Enfim, quando vemos a mídia engajada em campanhas partidárias, e ainda lançando suspeitas de que há forças querendo censurá-la ou silenciá-la (o que é mentira); e, para culminar, participando de seminários no Clube Militar, como o que deverá acontecer dia 23 de setembro deste ano, intitulado "Democracia Ameaçada", muitos cidadãos começam a se questionar, preocupados, se haveria alguém imaginando um golpe, seja um violento, com uso de armas, seja um "pacífico", como fizeram em Honduras no ano passado, onde o presidente eleito, após decisão do Supremo Tribunal Federal (convertido assim num poder quase monárquico, acima da soberania popular), foi preso pelo exército e conduzido para fora do país. Todos, incluindo o golpe contra Chávez, em 2002, tem algo em comum: a cumplicidade entre oposição conservadora e corporações midiáticas.


Falamos apenas dos jornais. Quanto à mídia televisiva, os fatos são muito mais graves, porque são concessionárias de serviço público, e há leis que proibem a veiculação de material entendido como propaganda partidária.


Quando chamamos a imprensa de golpista, portanto, referimo-nos não só a seu papel fundamental na preparação do golpe de 64 e na consolidação política do regime militar, como também no esforço constante, até hoje, para derrubar ou eleger governantes a partir de artifícios nada éticos de manipulação da notícia.


Reiteramos nosso apreço pela liberdade de imprensa e de expressão, mas observamos que estas liberdades não são direitos exclusivos dos donos de jornal: elas também valem para o leitor, que não deve ser enganado; e para o jornalista, que deve ter direito a trabalhar sem se submeter aos caprichos ideológicos do patrão.


Por fim, convidamos a todos a se libertarem do vício triste de pensar com a cabeça alheia, e a conhecerem a blogosfera política, onde se trata a informação com muito mais profundidade: ela é verificada, checada, conferida novamente, revirada de todos os lados, discutida, rechaçada, e de novo aceita; e onde, principalmente, respeita-se a inteligência do leitor e procura-se fazer com que ele a use efetivamente, pensando politicamente por si mesmo.


Somos os representantes da edição fluminense de uma articulação nacional, os Blogueiros Progressistas, ou seja, de esquerda, e nossa luta mais importante, nas últimas semanas, tem sido desmontar as manipulações midiáticas que visam confundir e influenciar o eleitorado, deturpando a vontade popular.

#RioBlogProg


domingo, 19 de setembro de 2010

Erenice Guerra dá entrevista à revista ISTOÉ

Na quinta-feira 16, a equipe de ISTOÉ tinha encontro marcado com a ministra Erenice Guerra às oito horas da manhã, na residência oficial da Casa Civil. Mas, depois de uma rápida visita do ministro Franklin Martins, ela foi convocada às pressas pelo presidente Lula. Erenice pediu que a reportagem aguardasse até o meio-dia, pois iria ao Palácio do Planalto para entregar seu pedido de demissão. Assim que deixou o cargo, voltou à luxuosa casa na Península dos Ministros e ali deu uma entrevista exclusiva à ISTOÉ sobre seus últimos momentos no governo Lula.

ISTOÉ – O que mais pesou em sua decisão de pedir exoneração?
Erenice Guerra – Fundamentalmente, foi a campanha de desconstrução da minha imagem, sórdida e implacável, atingindo, sobretudo, a minha família. Esses valores colocados em questão são caros para mim. Sou uma pessoa de origem simples e a família é o núcleo central que estabiliza a gente. Nesse episódio, não escaparam filhos, filha, marido, irmãos. Quando eu percebi que não haveria limite nenhum, nem ético nem de profissionalismo, para essa campanha difamatória, entendi que era o momento de fazer uma opção. Uma opção pela minha vida pessoal, minha família, meus filhos e minha mãe, que sofre com tudo isso. Resolvi, então, parar um pouco para proceder à defesa adequada de minha honradez e de minha seriedade profissional. Entendi que era o momento de dar um basta e dizer: “Senhor presidente, agora eu preciso de paz e de tempo para que eu possa defender a mim e a minha família dessa campanha difamatória.”

ISTOÉ – Por que existiria uma campanha difamatória contra a sra.?
Erenice – Na minha opinião, ela está absolutamente vinculada ao momento político-eleitoral. E é impiedosa e cruel, em que pese eu ter respondido de pronto às imputações e providenciado que fosse feita investigação das denúncias administrativas pela Comissão de Ética e pela Controladoria-Geral da União e pelo Ministério da Justiça, no âmbito da Polícia Federal. Isso, além de ter aberto todos os meus sigilos bancário, fiscal e telefônico.


ISTOÉ – A sra. conhece bem o trabalho de seu filho Israel Guerra para garantir que ele é inocente?
Erenice – Uma pessoa que trabalha a quantidade de horas que eu trabalho por dia, que sai de casa antes das nove da manhã e só volta depois das nove da noite, não tem condições de acompanhar trabalho nem de filho, nem de irmão, nem de ninguém. Mas eu conversei com meu filho e, conhecendo o filho que tenho, acredito nas afirmações que me foram feitas por ele. Ele me garantiu que, em nenhum momento, ultrapassou os limites da ética e da conduta que deveria ter. E ele sabe a mãe que tem. Eu jamais aceitaria ou faria movimento no sentido de privilegiar alguém.

ISTOÉ – A sra. nomeou o presidente e um diretor de operações dos Correios. Seu filho Israel Guerra, que trabalhou na Anac, aparece prestando consultoria a uma empresa, a Master Top Linhas Aéreas (MTA), que obteve renovação de concessão na Anac e, em seguida, ganhou uma concorrência milionária nos Correios. Não é muita coincidência?
Erenice – Troquei sim a diretoria dos Correios por determinação do presidente da República, porque a estatal estava num processo de declínio na prestação de serviço. Troquei o diretor de operações, o presidente e o diretor de recursos humanos. Creio que pago um preço por isso, mas não me arrependo. Do ponto de vista da minha conduta de servidora pública, era o que deveria ser feito para o resgate da credibilidade dos Correios. Israel prestou serviço para um sujeito chamado Fábio Baracat, que se intitulava dono de uma empresa chamada Via Net, mas nunca prestou serviço para uma empresa chamada MTA. A própria Anac reconhece que renovou a concessão da MTA porque eles regularizaram toda a documentação. A MTA ganhou e perdeu licitações nos Correios. E o tal contrato com a Via Net, que seria a empresa do Baracat, jamais foi assinado pelo meu filho. Então, é uma história muito confusa. Meu filho nunca teve contato direto com a MTA e eu muito menos.

ISTOÉ – A sra. se encontrou com Fábio Baracat na sua residência, na de seu filho ou em outro local?
Erenice – Eu fui apresentada ao Baracat pelo meu filho na condição de amigo dele. É um rapaz bem apessoado, bem formado, conversa bem, me parece até que é mais novo que meu filho. Para mim era mais um amigo. Conheci socialmente, como outros tantos amigos que meu filho já me apresentou. Não conversamos nada além do trivial de um encontro social.

ISTOÉ – Mas o fato de seu filho se relacionar, trabalhar e prestar consultoria a empresários que têm interesse em negócios com o governo não pode ser considerado tráfico de influência?
Erenice – A sociedade precisa refletir sobre essa questão. Depois que uma pessoa passa a exercer cargo público, seus filhos devem parar de se relacionar, trabalhar e ter amigos? Ou as pessoas com quem ele se relaciona previamente precisam apresentar currículo para dizer o que fazem? E se essa pessoa for um empresário? Ele tem que ser, a priori, já eliminado do seu círculo de relações, pois eventualmente, no futuro, pode vir a participar de uma licitação e eu, como estava ocupando uma pasta muito ampla, teria teoricamente influência sobre qualquer área? O que será dos meus filhos e dos meus parentes? Terão todos que viver à minha custa, pois não poderão trabalhar e se relacionar?

ISTOÉ – Já houve casos em Brasília em que filhos de ministros venderam facilidades. Possuíam consultoria e escritórios e se ofereciam para abrir portas. Podem ter sido vendidas facilidades em seu nome?
Erenice – O que impede alguém, a não ser a ética, de se vender por aí como uma pessoa que tem acesso à ministra e pode facilitar qualquer tipo de negócio? Essa é uma vulnerabilidade à qual estou exposta.

ISTOÉ – A sra. chegou a se encontrar com um representante da EDRB do Brasil, que teria tentado obter empréstimo no BNDES com a ajuda de seu filho?
Erenice – Eu nunca recebi. Ele foi recebido na Casa Civil pelo meu assessor, o chefe de gabinete à época. Foi lá apenas para fazer a demonstração de um projeto de energia alternativa. É tudo o que eu sei sobre esse assunto. Mas efetivamente a Casa Civil está investigando a conduta do ex-servidor Vinícius Castro e a possibilidade de ele ter praticado algum tráfico de influência nesse caso.

ISTOÉ – Esse servidor poderia se passar por um funcionário capaz de influir nas suas decisões?
Erenice – É. Poderia dizer “trabalho na Casa Civil, posso conseguir isso e aquilo…” Isso não é desarrazoado não. E, exatamente por isso, a Casa Civil está, a partir de hoje, investigando esse caso com bastante rigor.

ISTOÉ – Significou uma traição à sra.? Afinal, Vinícius era um funcionário muito próximo, além de ser sócio de seu filho.
Erenice – Foi uma traição. Uma completa traição

ISTOÉ – Se eventualmente houve tráfico de influência na Casa Civil, como a sra. aventou, foi sem seu conhecimento?
Erenice – Absolutamente sem o meu conhecimento. Eu jamais admitiria um negócio desses. Por que eu faria isso? Por que eu deixaria que minha honra e minha história profissional se sujassem por conta de tráfico de influência no local em que trabalho? Sou uma mulher madura, vivida. Sei onde estou, o que estou fazendo.

ISTOÉ – Como a sra. está lidando com esse episódio?
Erenice – Eu diria que é só mais uma dor nesses dias tão dolorosos. Mas o importante é que se apure com rigor, independentemente de eu não estar mais lá. Tive uma conversa com o Carlos Eduardo (Esteves Lima), que ficou como ministro, sobre a necessidade de averiguar e não deixar pedra sobre pedra, porque quem me conhece sabe que não permitiria coisa parecida. Por muito menos, determinei a abertura de processos administrativos dentro da Casa Civil. É óbvio que se eu imaginasse qualquer tráfico de influência na Casa Civil teria determinado as medidas investigativas necessárias. Se não fiz, foi porque isso não me ocorreu. Agora será feito.

ISTOÉ – A sra. se sentiu em algum momento abandonada pelo governo?
Erenice – De forma nenhuma. Eu fui tratada com solidariedade durante todo esse tempo. É óbvio que isso está diretamente ligado à disputa eleitoral, à necessidade de a oposição gerar fatos novos. O fato da quebra de sigilo se esgotou. Serra percebeu claramente que falar de quebra de sigilo não era uma boa tônica, então vamos falar de outra coisa. E a Erenice foi a bola da vez, até porque eu simbolizo uma proximidade, uma relação de confiança com a candidata Dilma, que está na frente.

ISTOÉ – Dilma foi solidária? Chegou a ligar?
Erenice – Conversamos e a Dilma não tem dúvida sobre a minha conduta.

ISTOÉ – A sra. teve apoio do presidente?
Erenice – Conversei com o presidente e ele foi muito amoroso comigo. E reiterou a confiança que tem na minha pessoa, mas achou que é um direito meu fazer agora os trabalhos que eu preciso fazer. Conversar com os meus advogados, abrir os processos para provar que eu não tenho participação, que não tive nenhum benefício.

ISTOÉ – A sra. chama as denúncias de campanha difamatória e as atribui à oposição? Não poderia, de repente, ser fogo amigo?
Erenice – Se fala muito em fogo amigo, mas eu prefiro não me manifestar sobre isso. Até porque seria uma dor a mais. Há uma disputa de cargos no futuro governo, o que é natural.

ISTOÉ – A sra. está tranquila com a investigação da CGU?
Erenice – Eu lhes asseguro que toda a minha família disponibiliza seu sigilo fiscal, bancário e telefônico. Eu não sou o Serra que briga para manter o sigilo da filha. Meu filho se chama Israel, e não Verônica. Ninguém está brigando na Justiça para manter o sigilo. Todos nós estamos dizendo: “Os nossos sigilos estão abertos.” Eu não tenho absolutamente nada a esconder. Essa postura é de alguém que se sente tranquila.

ISTOÉ – O que a sra. pretende fazer daqui para a frente?
Erenice – Respirar. Agora tenho que descansar. Ter tempo de fazer a defesa da minha honra e da legitimidade de todos os meus atos. De minha história de vida. Eu tenho clareza e certeza de que sou uma boa profissional. Não tenho problemas de emprego, de como me sustentar ou como viver. Mas não posso perder minha credibilidade. Não posso viver sem honra. É inadmissível.

ISTOÉ – Ao fim e ao cabo das investigações, a sra. tem a convicção de que as acusações não se sustentarão? A sra. pode afirmar isso?
Erenice – Tenho absoluta certeza. Não se sustentarão. A única coisa que lamento é que eu não terei o mesmo espaço ocupado pelas denúncias para divulgar minha inocência. Mas buscarei na Justiça o direito de resposta.

Reprodução do blog Seja Dita Verdade que por sua vez,reproduziu da revista ISTOÉ


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